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Região Demarcada do Douro

Alunos 8ºA, B e C

Extrato da Canção do Vinho do Porto

 (Dr. João e Araújo Correia)

Depois que me senti envelhecer 

Passo horas e horas no meu lar

De janela em janela, a espreitar

O breve mundo que me viu nascer  

Tem montes que não deixam de crescer

Videiras que ninguém pode contar

Oliveiras que vivem a rezar

E um rio que não pára de crescer.

                               

Vinho do Porto

O Vinho do Porto foi e será sempre uma marca de referência desta nossa região. Esta particularidade resulta de um somatório de características únicas que confere preciosidade ao nosso e mais querido produto.                

Situada numa zona única pelas suas paisagens e condições naturais, a Região Demarcada do Douro prima pela sua beleza inigualável, que conjugada com o incalculável valor das suas vinhas, faz desta região uma das mais cobiçadas a nível mundial.  

Situada no Nordeste de Portugal e envolvida pela Bacia Hidrográfica do Douro possuí uma área total que roda os 250 000 ha, alguns dos quais são dedicados em exclusivo à cultura vinhateira. Originalmente dividida, devido a características socioeconómicas e climatéricas discrepantes, nas sub-regiões do Alto Douro e Douro Superior, também neste campo sofre evolução, como tudo o resto que a envolve, passando a tomar as designações aceites até hoje de Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.

Voltando um pouco atrás, convém dar conta da evolução de designações e apresentar razões para tal facto. Assim, a separação inicial feita entre o Alto Douro e Douro Superior justificava-se devido a um acidente geológico sito no Cachão da Valeira. Um monólito de granito impossibilitava a navegação do rio para montante, demarcando assim uma zona da outra. Zonas que aliás se distinguiam uma da outra, também, por cunhos geológicos e de cultivo de vinha muito próprios. A região do Alto Douro ascendia até ao dito Cachão da Valeira, enquanto que o Douro Superior tinha início neste local, prolongando-se até à fronteira com Espanha.

Com D. Maria I, a separação entre as duas sub-regiões torna-se mais ténue, o monólito é destruído e a navegação é expandida, juntamente com o cultivo da vinha, nunca conseguindo, no entanto, atingir a dimensão da sub-região precedente.

Só em 1936 o Alto Douro vê introduzir duas novas designações (Baixo e Cima Corgo) que delimitam áreas, mas também demarcam a qualidade do vinho.

O Baixo Corgo situado entre Barqueiros, na margem Norte, e Barrô, na margem Sul, e a confluência dos rios Corgo e Ribeiro de Temilobos com o rio Douro, representa uma maior expressão de vinhedos do que a região de Cima Corgo que se estende para montante até ao referido Cachão da Valeira, mantendo-se a designação atribuída à restante área, inalterada.

A Região Demarcada do Douro inclui-se, geologicamente, no Super Grupo Dúrico-Beirão que substituí, atualmente, as formações ante ordovícicas da Zona Centro Ibérica, anteriormente incluídas no Complexo xisto-grauváquico (Sousa, 1982). A região é caracterizada por uma grande presença de xistos compreendendo ainda que, escassamente, xistos envolvidos por granitos de instalação posterior.

Solo

A caracterização dos solos do Douro são, como não poderia deixar de ser um reflexo incontornável da rocha predominante. Assim, teremos solos marcadamente derivados do xisto, que lhe conferem características especiais a todos os níveis.  

Basicamente poderemos distinguir quatro tipos de solos marcadamente diferenciados:

Antropossolos - A denominação não nos parecerá assim tão técnica se analisarmos a palavra em si e verificarmos que antropo se refere ao Homem. Estes serão, então solos, em que a ação humana não se pode ignorar, uma vez que se torna a sua principal característica. Esta prática reverte a favor da preparação dos solos para receber a cultura que dá vida a toda uma região.  

Os solos tomam um perfil mais aprofundado, em virtude de uma desagregação, artificial e consequentemente acelerada, da Bed-Rock (rocha de sustentação do solo) que provoca igualmente uma modificação da morfologia original da região. São, portanto, solos votados, exclusivamente, ao cultivo da vinha.  

Leptossolos - este tipo de solo duriense apresenta já uma ação humana muito mais branda, não resultando daí qualquer modificação no seu perfil, uma vez que as modificações se centram mais a nível superficial. Estes solos podem ainda subdividir-se em solos: Líticos (mais delgados), Úmbricos (de características ácidas e ricos em matéria orgânica), Êutricos (pouco ácidos, aparecendo predominantemente no Douro Superior) Dísticos (ácidos).

Cambissolos - cuja principal característica reside na sua espessura, que atinge os 30 cm, podendo-se dividir em: Dísticos e Êutricos.

Fluvissolos - tal como acontece com os Antropossolos, também a origem deste tipo de solos é fácil de perceber. Dividindo-se em Dístricos e Êutricos, não são mais do que depósitos aluvionares recentes, que derivam de uma sucessiva deposição de sedimentos (materiais resultantes da desagregação das rochas) por ação da água. Um exemplo característico deste tipo de solos é um local bem conhecido pelos durienses, que recebe a denominação do Vale da Vilariça.

TEXTURAS

Os solos são caracterizados pelas suas propriedades físicas e químicas, neste âmbito incluem-se as texturas. Predominantemente as texturas são franco-arenosas finas e franco-limosas, ou seja, os solos são constituídos por grãos finos (areias e limo). Nos Antropossolos atrás referidos, e que apresentam maior interesse para a cultura da vinha, imperam os elementos grosseiros (grãos de maiores dimensões), tanto à superfície como em profundidade à medida que avançamos ao longo do perfil. Esta será, sem qualquer sombra de dúvida o principal segredo de toda esta região.

O simples facto da existência desta granulometria xistosa de maiores dimensões asseguram as propriedades primordiais que mais tarde verificaremos no interior de cada garrafa. Estes elementos que se dispersam pelo solo conferem não só proteção contra a erosão hídrica, garantem uma boa permeabilidade, ou seja permitem uma boa afluência de água e das raízes às camadas subjacentes, otimizam condições de energia radiante, proveniente do sol, captando-a e mantendo-a de modo a diminuir a amplitude térmica diurna (tornam as diferenças de temperatura entre o dia e a noite menos evidentes) o que consequentemente irá beneficiar a maturação do fruto.

Quanto à textura convém ainda referir que os teores, ou quantidades de matéria orgânica, presentes nestes solos é baixa, rondando os 1,5%.

Clima

A situação geográfica da região do Douro demarca as suas características climatéricas. Faz-se sentir intensamente a proximidade de relevos de grande envergadura, como é o caso da Serra do Marão e do Montemuro, que isolam a nossa zona dos ventos, caracteristicamente, húmidos provenientes de Oeste.

Numa visita ao Douro não passam, com toda a certeza, despercebidos os seus grandiosos vales, protegidos irmãmente pelas montanhas que os cercam. Toda esta tipicidade morfológica faz do Douro uma região dotada de um clima muito especial.

Os Invernos são, particularmente rigorosos, muitas vezes premiados com quedas de neve e os verões têm características totalmente opostas, brindando-nos com temperaturas que sem qualquer razão particular ascendem facilmente os 40ºC à sombra! Em parceria com as elevadas temperaturas do Verão, a secura desta estação está-lhe ligada de modo indissociável.

Falando de precipitação, também esta é característica desta região. Distribuída de modo assimétrico, vai flutuando ao longo do ano atingindo os seus maiores valores nos meses de dezembro e janeiro e os seus mais parcos valores nos meses de Verão, especialmente, nos meses de julho e agosto. Numa análise de toda a região verificar-se-á que, os valores variam de Barqueiros até Espanha, fazendo-se sentir a interioridade desta última sub-região, uma vez que a precipitação é cada vez menor à medida que nos aproximamos da fronteira espanhola.

Um outro fator que nunca poderá ser omitido quando caracterizamos climatericamente esta região, é a exposição ao sol dos seus terrenos, que demarcará sem dúvida alguma, o comportamento das suas vinhas. Assim, a margem Sul do rio Douro é marcada por uma menor insolação sendo afrontada com ventos frios e húmidos vindos do Norte, os terrenos expostos a Sul apresentam uma temperatura do ar mais elevada do que os terrenos com exposição a Norte. Os locais situados na margem Norte são assolados com ventos provenientes do sul, logo de características mais secas.

Quanto às temperaturas, estas terão os seus valores médios entre os 11,8ºC e os 16,5ºC. Os valores máximos vão-se repartindo ao longo do rio, sendo particularmente frequentes na margem direita dos seus afluentes, mormente no rio Tua e Ribeira da Vilariça.

Rua João Manuel Fernandes Oliveira  Nº 5

5130-357 São João da Pesqueira

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